Sabe aquela sensação de que o dia passou, você não fez metade do que queria, mas sua cabeça parece que correu uma maratona?

Eu lembrava da época em que treinava, estudava, trabalhava e ainda sobrava dia. De repente, parecia que faltava tempo pra tudo. Mente pesada, foco no lixo.

Com a IA assumindo o operacional do dia a dia, isso pesou em dobro: eu preciso pensar mais, arquitetar mais, resolver mais problema complexo. Pra isso, o cérebro precisa estar descansado. E com o meu filho chegando, a régua subiu. Eu precisava ser eficiente de verdade.

Fui olhar o tempo de tela: quase 4 horas por dia.

Mesmo tirando a música no treino, era tempo demais jogado fora no combo clássico: YouTube e Instagram.

Dois anos de Opal

Uso o Opal há quase dois anos. No primeiro ano, ele só serviu pra esfregar na minha cara o tamanho do problema. Mas este ano resolvi entrar na cruzada de cortar o excesso de vez.

O que funcionou na prática

1. Comecei travando o básico. Bloqueei Instagram e YouTube no Opal no horário de trabalho, das 8h às 18h.

2. Depois, o teste de fogo: desinstalei o Instagram do celular. Se eu quiser ver alguma coisa, uso só pelo navegador no PC. Como os maias faziam, no tempo do MSN, quando você precisava literalmente sentar na frente do computador pra conversar.

Associar rede social ao PC mudou o jogo. Dá preguiça de abrir. Tenho recaída de vez em quando? Claro. Mas a barreira de atrito resolve 90% dos impulsos.

O resultado hoje

Meu tempo de tela caiu pra cerca de 1h30 por dia, quase tudo áudio e vídeo durante o treino na academia.

O tédio voltou? Em partes. Ainda me pego olhando pro nada, procurando algum estímulo visual por puro reflexo. Mas passam dois minutos, caio em mim e vou fazer algo útil.

É surreal como o cérebro volta a respirar quando você para de entupir cada segundo livre com feed infinito.

O vídeo que colocou isso em palavras

O vídeo do Pedro Sobral sobre vício em celular descreve bem o que eu vivi. Três ideias dele ficaram comigo:

  • O celular por reflexo. Ele compara pegar o celular sem motivo com acender a luz ao entrar no quarto: você nem pensa. Era exatamente o que eu fazia, e o que ainda me pego fazendo quando o tédio aparece.
  • Comparação, não informação. Para ele, a gente não está sobrecarregado de informação, e sim de parâmetros de comparação. O feed mostra o resultado de todo mundo e nunca o processo, e se comparar o tempo todo cansa.
  • A poeira baixando. Citando o Rick Rubin, em The Creative Act, ele diz que as ideias aparecem quando sobra espaço na cabeça. Quando você mexe na tela o tempo inteiro, tudo fica turvo; o tédio é o momento em que a poeira baixa. É isso que eu queria quando falei em ter meu tédio de volta.

Faz o teste

Sem papo de guru e sem pregação: se você anda sentindo a mente afogada, faz o teste. Bota o Opal pra travar as redes no horário comercial ou deixa o Instagram só no navegador do computador.

Se quiser ir além, o Pedro propõe três passos no vídeo: olhar seu tempo de tela, reservar 20 minutos de tédio de propósito por dia (sem celular, TV ou podcast) e fazer algo da vida real antes de abrir qualquer rede de manhã.

Vai que você tá precisando disso e nem percebeu ainda.